“Na profunda pobreza encontraram abundância de alegria.
Bartolomeu foi treinado a se soltar, refinar seu humor e se tornar piadista.
Gostava de ser encarregado de dar comida na boca da idosa freira. Aprendia
rápido e inadequadamente a capacidade de aproveitar as oportunidades. Não sabia
pedir. Bastava uma distração da irmã Doroty que embolsava uma barra de
chocolate, um bife ou uma porção de bolachas.
Certa vez, uma freira o viu furtando uma fruta de Doroty e o
corrigiu com severidade:
-Seu pequeno ladrão. Você não tem temor a Deus.
-Deus? Quem é Deus? – ele desafiou-a
-O quê? Você é um ateu menino? – esbravejou ela. Mas o
menino aprendera com Doroty a não se calar:
-Onde estava Deus quando eu era espancado pelo meu pai? Onde
estava Deus que não protegia minha mãe? E quando eu chorava de fome, por que
ele não me ouvia?
O menino começou a entrar em prantos ao fazer esses
questionamentos. Recordou o passado. Doroty criticou a freira dizendo que era
um erro grave querer enfiar Deus goela abaixo do menino. Isso não era expressão
do amor, era um controle mental. E questionou:
-Como exigir que uma criança que teve a imaginação de um pai
carrasco creia na imagem de Deus como um Pai amoroso? – A freira silenciou-se
calidamente. E Doroty completou:
- É um crime tal exigência. Economize as palavras e exalte
os gestos. Dê-lhe muito amor e deixe-o crescer e talvez um dia entenda que,
quando ele chorava, Deus chorava suas lágrimas com ele...
(Cap.4 pag 32-33)
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